Minicurso de Power BI para Logística, do zero ao dashboard
Este é o material escrito das aulas acima. Cobre os mesmos cinco pilares, na mesma ordem, e serve pra consultar depois, quando você estiver com o Power BI aberto e travar em algum ponto.
O que você monta neste minicurso
No fim das aulas você tem um painel de logística funcionando, construído do dado cru até a tela final. O caminho é o de um projeto real: unificar as bases que chegam de sistemas diferentes, limpar, modelar, calcular e montar a tela que a operação abre todo dia.
O caso passa pelos números que têm preço direto: OTIF com as duas metades separadas, lead time por etapa (e por que a média engana aqui), custo de frete sobre a receita e cobertura de estoque. O guia abaixo destrincha cada um e depois percorre os cinco pilares da construção.
Se o que você procura antes é ver um painel de logística pronto, o artigo Dashboard de compras e logística mostra o caso completo.
Os indicadores de logística que sustentam a decisão
OTIF
Entregas no prazo e completas sobre o total. É o indicador que resume a promessa da logística pro cliente, e o que mais gera discussão dentro da empresa, porque cada área calcula de um jeito.
Duas decisões precisam estar escritas antes de construir. Prazo contra o quê: a data prometida ao cliente ou a data acordada internamente? E "completo" significa pedido inteiro ou item a item? Um pedido com 9 de 10 itens é 90% completo ou 0% completo? As duas respostas existem no mercado, e o painel precisa de uma só.
Vale acompanhar as duas metades separadas também. Um OTIF de 85% pode ser 95% no prazo com 89% completo, e a ação pra prazo é diferente da ação pra ruptura.
Lead time
Tempo entre o pedido e a entrega, quebrado por etapa: separação, expedição, transporte e entrega. O agregado diz se está bom, a quebra por etapa diz onde atacar.
Média sozinha engana em logística mais do que na maioria das áreas, porque a distribuição tem cauda longa: a maioria entrega em 2 dias, alguns em 15, e a média fica em 3 sem descrever ninguém. Mediana e o percentil 90 contam melhor a experiência real do cliente.
Custo de frete
Custo total, custo por pedido, custo por quilo e percentual sobre a receita. O último é o que a diretoria entende na hora, e o que revela quando o crescimento de vendas está saindo caro demais.
Os cortes que rendem são por transportadora, por região, por modal e por faixa de peso. É neles que aparece a rota mal contratada.
Giro e cobertura de estoque
Giro é quantas vezes o estoque se renova no período. Cobertura é por quantos dias o saldo atual atende a demanda. Cobertura costuma ser mais acionável no dia a dia, porque responde direto "vai faltar?".
Os dois pedem o mesmo corte: por SKU e por curva. Estoque alto no agregado convive com ruptura nos itens que mais vendem, e o número consolidado esconde exatamente isso.
Ocupação e ocorrências
Aproveitamento de peso e de volume por viagem, que é onde mora boa parte do desperdício de frete. E as ocorrências de entrega (avaria, ausência, recusa, endereço errado) classificadas por motivo, porque cada motivo tem um dono diferente.
Os cinco pilares pra construir o dashboard
Esta é a espinha do minicurso, e a ordem importa. Quase todo dashboard que dá problema depois foi construído pulando um destes.
Extração
É trazer o dado pra dentro do Power BI, e logística é a área com mais fontes espalhadas: o ERP tem o pedido, o WMS tem a separação, o TMS ou a transportadora tem o rastreio, e boa parte do prazo real chega em planilha ou arquivo da transportadora.
Padronize esse recebimento antes de construir. Se cada transportadora manda um layout diferente, o trabalho de unificar layout é o projeto, não um detalhe dele. Conecte na pasta e não no arquivo, senão todo mês alguém reaponta a consulta.
Estruturação
É o Power Query. Uma linha por evento, uma coluna por atributo.
O trabalho característico de logística é empilhar arquivos de origens diferentes num formato só, e padronizar os códigos de status. "Entregue", "ENTREGUE", "ENT" e "51" costumam significar a mesma coisa em três sistemas diferentes. Uma tabela de de-para de status resolve isso de uma vez e evita que cada medida carregue a tradução dentro dela.
Modelagem
É montar o relacionamento no modelo estrela: entregas no centro, e cliente, produto, transportadora, região e calendário em volta.
Logística tem uma dificuldade própria aqui: são várias datas no mesmo evento (pedido, faturamento, expedição, prometida, entrega). Uma tabela de calendário se relaciona com uma coluna de data por vez, e é isso que faz o painel parecer quebrado quando alguém troca o filtro.
A saída é escolher a data principal do painel (normalmente a de expedição ou a de entrega) e tratar as outras por medida, com as funções que permitem calcular sobre outro relacionamento sem duplicar a tabela.
Cálculos
É o DAX. Prefira medida a coluna calculada. Comece pelas medidas base (entregas, entregas no prazo, entregas completas, custo, peso) e monte as derivadas em cima: OTIF é uma divisão entre medidas que já existem.
Entregas = COUNTROWS( fEntregas )
Entregas no Prazo =
CALCULATE( [Entregas], fEntregas[DataEntrega] <= fEntregas[DataPrometida] )
Entregas Completas =
CALCULATE( [Entregas], fEntregas[QtdEntregue] = fEntregas[QtdPedida] )E aqui mora a armadilha de cálculo mais comum da área: percentual de uma média não é a média dos percentuais. OTIF calculado como média do OTIF de cada transportadora dá um número diferente do OTIF real da operação, e a diferença cresce quando os volumes são desiguais. Divida sempre os totais. A função PERCENTILEX.INC é a que dá o percentil sem precisar de coluna auxiliar.
OTIF % =
DIVIDE(
CALCULATE( [Entregas],
fEntregas[DataEntrega] <= fEntregas[DataPrometida],
fEntregas[QtdEntregue] = fEntregas[QtdPedida]
),
[Entregas]
)
Lead Time Médio = AVERAGE( fEntregas[DiasEntrega] )
-- A média esconde a cauda longa. O percentil 90 conta a experiência real.
Lead Time P90 = PERCENTILEX.INC( fEntregas, fEntregas[DiasEntrega], 0.90 )
Custo por Pedido = DIVIDE( SUM( fFrete[Valor] ), [Entregas] )
Frete sobre Receita % = DIVIDE( SUM( fFrete[Valor] ), [Receita] )Cuidado com percentual e média em logística: percentual de uma média não é a média dos percentuais. OTIF calculado como média do OTIF de cada transportadora dá um número diferente do OTIF real da operação, e a diferença cresce quando os volumes são desiguais. Sempre divida os totais.
Visualização
É onde a análise vira decisão. Três camadas: em cima, OTIF, custo sobre receita e cobertura; no meio, a evolução no tempo; embaixo, o detalhe por transportadora, região e SKU.
Uma escolha específica da área: logística tem público de tela e público de chão. O gerente olha a evolução mensal, o supervisor precisa da lista do que está atrasado agora, com número do pedido pra agir. São duas telas, não uma, e tentar servir as duas no mesmo lugar costuma deixar as duas ruins.
O que tem no minicurso
São 12 aulas em vídeo, distribuídas em 3 módulos, na mesma ordem do player acima.
1. Introdução
- Boas Vindas
- Pilares do Power BI
- Download dos Materiais
2. Dashboard de Logística
- Case de Hoje
- Pilar 1 - Extração
- Pilar 2 - Estruturação
- Pilar 3 - Modelagem
- Pilar 4 - Cálculos
- Pilar 5 - Visualização de Dados
- Tela de Fundo
- Análises
3. Plataforma Xperiun
- Conheça a Plataforma Xperiun
Os erros que mais aparecem
OTIF sem definição escrita. Cada reunião discute o número em vez de discutir a operação. Combine prazo contra qual data e o que conta como completo, deixe a definição visível no relatório e siga.
Média escondendo a cauda. Lead time médio de 3 dias com 10% das entregas em 15 é uma operação com problema sério e um indicador tranquilo. Mediana e percentil 90 mostram o que a média apaga.
Filtro de data que muda o sentido do painel. Sintoma clássico de várias datas com um calendário só. O usuário troca o filtro, os números mudam de significado e ninguém entende por quê.
Painel só com o passado. Se o relatório mostra apenas o que já foi entregue, ele serve pra prestar conta, não pra operar. O que está em rota e em risco é o que muda o dia.
Por onde seguir
Se você está começando agora, faça nesta ordem: uma pergunta, a base de entregas com status padronizado, calendário, quatro medidas base e uma tela só. Um painel pequeno que a operação abre todo dia vale mais que um projeto de seis meses que ninguém usou.
As aulas acima mostram esse caminho inteiro aplicado a um caso de logística, do dado cru até a tela final. O material de apoio está na aula "Download dos Materiais", no primeiro módulo.
