Minicurso de Power BI para o Financeiro, do zero ao dashboard
Este é o material escrito das aulas acima. Cobre os mesmos cinco pilares, na mesma ordem, e serve pra consultar depois, quando você estiver com o Power BI aberto e travar em algum ponto.
O que você monta neste minicurso
No fim das aulas você tem um painel financeiro funcionando, construído do dado cru até a tela final. O caminho é o de um projeto real: trazer a base do ERP, limpar, modelar, calcular e montar a tela que a diretoria abre na segunda-feira.
O caso passa pelos números que decidem: fluxo de caixa (que não é a mesma coisa que lucro), DRE gerencial com margem por recorte, contas a receber com faixa de atraso e o ciclo financeiro. O guia abaixo destrincha cada um e depois percorre os cinco pilares da construção.
Se o que você procura antes é ver um painel financeiro pronto e a análise por trás dele, o artigo Dashboard financeiro com análise de títulos pagos e recebidos mostra isso em detalhe.
Os indicadores financeiros que sustentam a decisão
Fluxo de caixa
É o indicador que decide se a empresa dorme tranquila. Entradas menos saídas no período, com saldo acumulado, e o ponto que importa de verdade é a projeção: o realizado conta o passado, e a decisão acontece sobre as próximas semanas.
Aqui mora a confusão mais cara do financeiro: lucro não é caixa. Empresa com DRE positiva quebra por caixa o tempo todo, porque vendeu a prazo e pagou à vista. O painel precisa mostrar os dois, lado a lado, senão vira uma discussão de "mas o resultado está bom".
DRE e margem
A DRE gerencial é a espinha do painel de resultado: receita bruta, deduções, receita líquida, custo, margem bruta, despesas, resultado operacional.
O que transforma isso em análise são os recortes. Margem por produto, por cliente, por canal e por região. Faturamento crescendo com margem caindo é uma história completamente diferente de faturamento crescendo com margem estável, e a DRE consolidada esconde essa diferença.
Contas a receber e inadimplência
Prazo médio de recebimento e a carteira aberta por faixa de atraso (a vencer, 1 a 30, 31 a 60, 61 a 90, mais de 90). É o indicador que mostra dinheiro que já é seu e não chegou.
Inadimplência isolada diz pouco. Inadimplência por cliente, por vendedor e por condição de pagamento aponta onde a régua de crédito está frouxa.
Contas a pagar
Prazo médio de pagamento e o vencimento distribuído nas próximas semanas. Junto com o recebimento, ele forma o ciclo financeiro, que é o número que explica por que a empresa precisa de capital de giro mesmo dando lucro.
EBITDA
Resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. É a linguagem de quem olha a empresa de fora (banco, investidor, comprador), então vale estar no painel mesmo que a operação use margem operacional no dia a dia.
Os cinco pilares pra construir o dashboard
Esta é a espinha do minicurso, e a ordem importa. Quase todo dashboard que dá problema depois foi construído pulando um destes.
Extração
É trazer o dado pra dentro do Power BI. No financeiro a fonte costuma ser o ERP, e a decisão que pesa é conectar no banco ou viver de exportação.
Exportação de ERP tem um problema específico: o arquivo vem formatado pra humano. Cabeçalho em três linhas, subtotal no meio, coluna de mês espalhada na horizontal e valor como texto com separador de milhar. Isso tudo se resolve no pilar seguinte, mas quanto mais perto da fonte você conectar, menos disso você herda.
E um cuidado que é do financeiro: essa base tem salário, margem por cliente e condição comercial. Decida o que entra antes de importar, porque o que não entra no modelo não vaza depois.
Estruturação
É o Power Query. O trabalho aqui é deixar cada tabela com uma linha por lançamento e uma coluna por atributo. Sem total no meio, sem cabeçalho duplo, sem mês na horizontal.
Três coisas aparecem quase sempre em base financeira: valor como texto, que precisa virar número de verdade; data de competência e data de caixa misturadas na mesma coluna; e plano de contas com hierarquia embutida no código da conta. As três se resolvem aqui, e nenhuma delas se resolve depois sem dor.
Modelagem
É montar o relacionamento entre as tabelas, no modelo estrela: lançamentos no centro, e plano de contas, centro de custo, cliente, fornecedor e calendário em volta.
A tabela de calendário não é opcional, e no financeiro ela tem uma exigência a mais: precisa carregar o conceito de competência e o de caixa. Muita análise financeira compara o mesmo lançamento em duas datas diferentes, e um calendário só, ligado a uma coluna só, não dá conta.
O plano de contas é a outra decisão que define o painel. Se a hierarquia estiver bem montada aqui, a DRE se monta quase sozinha na visualização. Se não estiver, cada linha do resultado vira uma medida escrita à mão.
Cálculos
É o DAX. Prefira medida a coluna calculada: coluna ocupa memória e congela o resultado na atualização, medida é calculada no contexto do que o usuário está olhando.
Comece pelas medidas base (receita, custo, despesa, saldo) e monte as derivadas em cima delas. Margem é uma divisão entre duas medidas que já existem. Acumulado no ano, comparação com o mesmo mês do ano anterior e média móvel saem das funções de inteligência de tempo, e todas dependem do calendário do pilar 3 estar certo.
Receita Líquida = SUM( fLancamento[Valor] ) -- com a conta filtrada pela dimensão
Custo = CALCULATE( SUM( fLancamento[Valor] ), dPlanoContas[Grupo] = "Custo" )
Margem Bruta = [Receita Líquida] - [Custo]
Margem Bruta % = DIVIDE( [Margem Bruta], [Receita Líquida] )As comparações no tempo saem das funções de inteligência de tempo, e todas dependem do calendário do pilar 3 estar contínuo e marcado como tabela de datas. DATESYTD monta o acumulado no ano e SAMEPERIODLASTYEAR a comparação com o mesmo período do ano anterior.
Receita YTD =
CALCULATE( [Receita Líquida], DATESYTD( dCalendario[Data] ) )
Receita Ano Anterior =
CALCULATE( [Receita Líquida], SAMEPERIODLASTYEAR( dCalendario[Data] ) )
Variação YoY % =
DIVIDE( [Receita Líquida] - [Receita Ano Anterior], [Receita Ano Anterior] )
-- Vencido é o que passou da data e não foi baixado.
Inadimplência % =
VAR Hoje = MAX( dCalendario[Data] )
RETURN
DIVIDE(
CALCULATE(
SUM( fTitulos[Valor] ),
fTitulos[DataVencimento] < Hoje,
ISBLANK( fTitulos[DataBaixa] )
),
SUM( fTitulos[Valor] )
)Visualização
É onde a análise vira decisão. Uma tela financeira que funciona costuma ter três camadas: em cima os poucos números que respondem "como estamos" (saldo, resultado do mês, margem); no meio a evolução no tempo; embaixo o detalhe por conta, cliente e centro de custo.
Duas escolhas específicas do financeiro. Valor sempre com a mesma unidade e o mesmo número de casas na tela inteira, porque comparar mil com milhão na mesma linha é o jeito mais rápido de perder a confiança de um diretor. E variação sempre com sinal e cor consistentes: se vermelho é ruim numa despesa, vermelho não pode ser bom em nenhum outro lugar do painel.
O que tem no minicurso
São 11 aulas em vídeo, distribuídas em 3 módulos, na mesma ordem do player acima.
1. Introdução
- Boas Vindas
- Pilares do Power BI
- Download dos Materiais
2. Dashboard Financeiro
- Pilar 1 - Extração
- Pilar 2 - Estruturação
- Pilar 3 - Modelagem
- Pilar 4 - Cálculos
- Pilar 5 - Visualização de Dados
- Tela de Fundo
- Análises
3. Plataforma Xperiun
- Conheça a Plataforma Xperiun
Os erros que mais aparecem
O painel não bate com a contabilidade. Na maior parte das vezes é competência contra caixa, ou um filtro de conta que exclui lançamento de ajuste. Combine a definição de cada linha com quem fecha o mês, por escrito, e deixe a definição visível no próprio relatório.
DRE que só existe consolidada. Sem corte por produto, cliente ou canal, o painel informa e não ajuda a decidir. A pergunta que interessa nunca é "qual foi a margem", é "onde a margem está caindo".
Projeção de caixa feita na planilha ao lado. É o sinal de que o modelo não previu o dado futuro (contas a pagar e a receber em aberto). Se a projeção vive fora do painel, o painel não é a fonte da decisão.
Margem por cliente aberta pra todo mundo. Financeiro é a base mais sensível da empresa depois do RH. Se o mesmo relatório atende áreas diferentes, segurança de linha deixa de ser opcional.
Por onde seguir
Se você está começando agora, faça nesta ordem: uma pergunta, o plano de contas organizado, calendário, quatro medidas base e uma tela só. Um painel pequeno que a diretoria abre toda segunda vale mais que um projeto de seis meses que ninguém usou.
As aulas acima mostram esse caminho inteiro aplicado a um caso financeiro, do dado cru até a tela final. O material de apoio está na aula "Download dos Materiais", no primeiro módulo.
